Cara, o mês de outubro já tá no fim e eu não escrevi nada ainda! Então vamos lá.
Depois de uma pincelada sobre equilíbrio mental no poste do final do mês passado, eu acabei deixando uma ponte pra falar de algo que pode nos desequilibrar: frustrações. Alguns de meus leitores, pricipalmente os que me conhecem pessoalmente, talvez estejam esperando uma reflexão bem aprofundada sobre isso. Posso tentar, só não garanto ir muito longe…
Eu não sei se algum grande autor já escreveu algo assim, mas eu já acreditava que frustrações tem exatamente o mesmo tamanho das expectativas correspondentes, ou seja, quanto mais você espera, mais ‘perdido no espaço e no tempo’ você ficará se não tiver o que deseja. Já dizia o sábio rei Salomão: “A expectativa adiada faz adoecer o coração”. É exatamente aí que entra algo com o que eu me preocupo muito: o quanto nós somos os responsáveis por criar expectativas nos outros e, principalmente, em nós mesmos. Como assim? Eu já falei algumas vezes aqui que a natureza humana tem como alguns de seus vícios misturar coisas que por si só não se misturam ou conflitar coisas que por si só não se conflitam. Quando desejamos algo, dependendo da intensidade, poderemos cair na armadilha de acreditar que vamos conseguir, quando nem sempre temos motivos para isso. Misturamos coisas que por si só não se misturam.
Sendo assim, desejar muito uma vaga naquela universidade famosa e disputada por si só não vai fazê-lo conseguir essa vaga. Apenas desejar muito o carro dos seus sonhos não vao trazer ele de presente pra você. Desejar que alguém seja sempre seu amigo, não quer dizer que sempre será assim. Tá, mas e daí? Isso todo mundo sabe. É, eu sei que todo mundo sabe! Mas ainda assim nós confundimos as coisas. É quando estamos cientes de que os desejos e paixões podem dessarrumar tudo e mudar nosso rumo é que começamos a perceber as diferenças cada vez mais claras entre desejar e esperar, entre querer e poder ou entre estar apaixonado e estar iludido.
O querer muitas vezes vem do emocional, o que torna mais perigoso, mas o acreditar sempre me pareceu estar mais ligado à razão. Acreditar é algo que deve ser construído, trabalhado sobre uma base sólida.
Voltando ao ‘fio da meada’, entra aí a nossa responsabilidade no que se refere à construção das expectativas, que pode ser bem colocada em forma de perguntas:
- O que eu espero de alguem e por que?
- As coisas que gerem expectativas em mim vêm realmente dos outros? Ou sou eu que estou vendo demais?
O que me faz julgar necessário levar a sério questões como essas é que quando você espera demais, principamente por muito tempo e recebe uma notícias que destroi todas as esperaças em poucos minutos ou segundos, você revive todo o seu tempo de expectativa a partir de uma visão diferente sobre si mesmo.
Pense comigo: Posso me imaginar como tendo conseguido algo muito importante após muito esforço. Daí é possível que com muita empolgação eu reviva toda história calculando e recalculando o meu nível de inteligência num autoreconhecimento de minhas proezas. Mas se acontecem as frustrações, a visão de mim mesmo será contrária e a cada vez que eu reconstruir as lembranças, talvez a tendência seja a de medir o quanto eu fui ingênuo ou um grande idiota por tanto tempo. Mas aí já era e o processo de cura nesses casos é muito lento e difícil.
Para clarear ainda mais as coisas leiam Evitando problemas de coração, um dos mais visitados posts deste humilde blog.